[FP] Charles Loyère

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[FP] Charles Loyère

Mensagem por Charles A. Loyère em Qua Out 01, 2014 4:33 pm



Charles Achille Loyère

33
masculino
médiuns
Poderes: nothing.
Eu poderia discorrer sobre minha história de forma a deixá-la completa, coerente, perfeita. Mas caso eu fizesse isso, a maior mentira seria plantada aqui: de que eu me importava com as coisas. Que deixemos tudo muito claro, porque ouvir e aconselhar não faz parte do que vocês chamam de vida e do que eu chamo de inferno.


Não gosto de me lembrar de minha infância; tão confusa. Cheia de medos, inseguranças, vazios. Papai nunca havia ligado para o que eu era ou deixava de ser - sempre fixado em sua rica empresa de tecido -, mamãe estava mais preocupada em permanecer jovem com todos aqueles cosméticos e meu irmão… bem, não que eu não goste dele, mas meu estômago se embrulha a cada vez que ouço soar o seu nome. O que me sobrava, então, era uma rica imaginação e o livro surrado dos Contos de Grimm.


Agora, “rica imaginação” fora o nome carinhoso que eu dera ao fato de conseguir ver e ouvir algumas pessoas que transitavam invisíveis aos olhos dos outros, mas tão visíveis a mim. Elas me acompanhavam, me perseguiam, me faziam companhia. Eram os únicos amigos que eu possuía e foram os únicos que me ensinaram algo.

Lembro-me bem de Phillipe, que me ensinara o piano. Seus dedos finos escorregavam pelas teclas brancas e pretas como se fossem plumas. Tão sincronizado, sensível. Eu sentia a música em cada poro de meu corpo, em cada fragmento de minha alma. Existiu Mikhael, que se dizia como ser de puro sangue ariano e me ensinou tudo o que eu deveria saber sobre o linguajar alemão. E Katrina… O que dizer sobre Katrina? Dizia ela que gostava de fazer os homens felizes e assim ela me fez, durante meus 17 anos.

Agora não me perguntem o que foi real ou foi pura invenção. Eu estava tão imerso neste mundo paralelo que eu me perdi de mim mesmo, me perdi na loucura, me perdi na solidão. E, num dia em que minha tristeza se tornava instrumento de criação, tentei afogar meu irmão na piscina de nossa casa. As vozes me diziam para fazer isso, me diziam que assim eu poderia ser reconhecido por papai e mamãe, mas acabou que deu tudo errado. E quem morrera naquele dia fui eu depois todas repreensões, brigas, decepcionamentos de meus familiares.

Mas os 18 anos em Paris nunca haviam sido tão tediosos. Mudei-me para Inglaterra, para aprender o inglês, e depois fui para Suiça, em Zurique, na onde cursei Medicina. Pude gozar mais da vida, dos acontecimentos e, por um momento, eu achei que poderia ser feliz novamente. Esse quadro mudou, entretanto, quando descobri que a mulher de meu irmão estava esperando uma linda menininha.

E eles não me deixaram vê-la. Por mais que eu tentasse, pedisse, implorasse, não me deixaram. Era a minha chance de ser amado por alguém de minha família, por mostrar para alguém que eu também poderia lhe ensinar sobre Beethoven ou Freud. Meus amigos me disseram aos sussurros que eu deveria ir até lá, escondido, e tomá-la para mim, porque eu era seu dono de direito. Me recusei no início, mas eles insistiram tanto que logo tornei a volta à França. Mais uma vez eu fui um fracasso.

Assim que eu abria a porta de seu quarto rosa, meu irmão apontou no corredor. Gritou comigo, disse que eu era louco, e tentei contradizer dizendo que a ideia não fora minha, fora de meus amigos. E ele rebateu dizendo que isso era tudo fruto de minha imaginação ezquisofrênica, que eu não poderia mais se aproximar de sua filha ou de qualquer outro membro da família.

Eu chorei. Não me orgulho, mas chorei. Papai, agora já sem a mesma saúde de antes, mandou-me internar num manicômio. Neste lugar eu encontrei a perdição; tantos fantasmas e espíritos que rondavam o mesmo quarto que eu frequentava. Suas vozes mórbidas, alucinadas. Mas assim como decaí neste lugar, também encontrei a salvação. As palavras. Todos os dias, durante horas e horas, eu escorria a caneta numa folha de papel em branco e contava histórias de minhas viagens para os lugares mais longínquos deste mundo. Eu sabia que ela iria gostar, que ela seria incompreendida como eu fora incompreendido.

Minha doce sobrinha Robin. Como eu almejava em conhecê-la, em abraçá-la. Poderíamos tomar sorvetes juntos, ou andar numa montanha russa. Não importava o lugar, desde que estivéssemos juntos e ela estivesse feliz.

Depois de anos vivendo nessa mesma rotina, fui liberto de minha prisão. Adquiri novos hábitos como o tabaco, novas maneiras e manias - me portar como um cavalheiro, por exemplo -, e novos conhecimentos como a Psiquiatria. Eu poderia, sim, ser diagnosticado com ezquisofrenia, mas remédio nenhum me proibiria de ver os fantasmas que me cercavam. Eles estavam sempre no mesmo lugar, sem poder sair. Descobri, depois de várias perguntas indiscretas o porquê daquilo e me disseram que fora ali que eles morreram.

A fascinação me tomou. E eu queria saber mais sobre eles, mais sobre a vida que eles levavam e como ainda era possível que eles estivessem vivos. Será, então, que aquela religião espírita estaria certa? Talvez, talvez. Eu tinha minhas dúvidas, entretanto.

A primeira coisa que fiz depois de sair do manicômio foi descobrir onde Robin estava. Entrei em contato com alguns acessores de meu irmão, disse algumas mentiras e sorri ao descobrir que a garota estava na América porque queria ser livre. E eu imaginei que ela deveria ter sido tão injustiçada como eu. A necessidade de vê-la se tornou maior.

Comprei passagens para os Estados Unidos com destino à New Orleans.
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Re: [FP] Charles Loyère

Mensagem por Christopher J. Eberhardt em Qua Out 01, 2014 6:49 pm

Ficha APROVADA
Meus parabéns, Charles, sua ficha foi perfeita, direta, a história dentro da trama e realmente me admirei com ela, me prendeu como leitora. Foi uma ficha relativamente longa, mas a devorei em poucos minutos e isso é muito bom. Seja bem-vindo ao The Coven e espero que se divirta por aqui. Não se esqueça de sempre seguir as regras para um jogo e uma convivência melhor.

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