[FP] Robin B. Loyère

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[FP] Robin B. Loyère

Mensagem por Robin B. Loyère em Ter Set 30, 2014 2:47 pm



ROBIN!

19 anos
Feminino
Médiuns
Poderes: -
Eu acho que sempre ouvi as vozes, e isso não foi ruim, até eu perceber que não era uma coisa comum. As coisas começaram a me preocupar realmente quando comentei de Lolita com minha irmã mais velha e ela me encarou com as sobrancelhas franzidas me olhando como se eu estivesse maluca. Barbara contou para os nossos pais, claro, e eles me levaram a um psiquiatra, como parecia sensato fazer. O Dr. Krakowski me diagnosticou com esquizofrenia paranóide, e eu passei a tomar alguns medicamentos que alteravam meus índices de dopamina, quando eu não fazia ideia do que isso significava. Em outras palavras, passaram a me tratar como se eu fosse doida de pedra e, de uma forma ou de outra, acho que acabei me acostumando com isso.

E com os medicamentos, veio o esquecimento, e Lolita sumiu.

Quando isso aconteceu eu cheguei a real conclusão de que era maluca e de que os medicamentos estavam realmente fazendo efeito. Eu tinha oito anos de idade, uma ex-amiga imaginária que sempre vestia branco e um histórico de saúde mental incriminador. Para falar a verdade, eu não via como poderia ter muito sucesso na minha vida e comecei a me acostumar com a ideia de passar o resto dos tempos trancada no meu quarto ouvindo a 7ª sinfonia inacabada de Beethoven e lendo Os Sofrimentos do Jovem Werther. E as coisas pareciam se encaixar estranhamente no meio dessa minha teoria insana, ninguém se importava com uma criança que ouvia música erudita e lia Goethe, começaram a se importar com uma adolescente que ouvia as músicas do Barney e lia As Aventuras de Tom Sawyer.

Não faço ideia de como declinei, mas em dado momento, percebi que os medicamentos não estavam realmente funcionando, que eu continuava ouvindo as vozes, tendo os vislumbres e, às vezes, até vendo, de fato, pessoas que ninguém mais via e que, portanto, o problema não tinha a ver com a porra da dopamina. Não importava se eu ouvia Bach ou Somos Amendobobos, o que estava a minha volta não mudava e se eu quisesse sobreviver a toda aquela loucura teria que aprender a lidar com isso e transformar as coisas ao meu redor. Foi nessa época que eu dei uma pirada, aos treze anos de idade, quando eu já me entupia de remédios fazia cinco anos e estava de saco cheio de tudo. Fugi de casa durante a noite e fiquei dois dias fora, sem medicamentos, sem comida, sem destino, vagando pela estrada e tentando alucinadamente encontrar um destino que fosse diferente do que o que me aguardava.

Com essa atitude fantástica meus pais ficaram putos da vida e me mandaram de vez para o sanatório. Não era um lugar especialmente bonito, ainda mais porque me colocaram na área dos pacientes violentos depois que eu mordi os enfermeiros que me agarraram quando cheguei em casa. Me mantiveram na ala de crianças violentas até os quinze porque aos quinze, aparentemente, eu já era considerada uma espécie de adulta por ali. Meus pais pensavam estar me ajudando, meus amigos e todos aqueles ao meu redor, mas se eles tivessem me escutado saberiam que as coisas não eram bem assim. Por algum motivo, mesmo com o considerável aumento de medicamentos que injetavam em mim, eu tinha ainda mais alucinações e elas vinham de todos os lados, sorrindo, chorando, gritando e impedindo o meu sono.

E aqueles tempos no sanatório foram um inferno até eu conhecer Erik.

Erik era um homem muito branco, extremamente branco, de olhos escuros e cabelos cor de breu. Possuía olheiras profundas e uma voz de anjo que sempre cantava para que eu adormecesse. Eu não tinha ideia de como ele estava sempre por ali, nunca sabia de onde ele vinha, mas ele estava ali e entre uma maluca que devorava bonecas que dormia no quarto ao lado e ele, não havia muito entre o quê escolher. Não contei ao doutor sobre Erik porque eu tinha uma vaga ideia de o porquê de nunca saber de onde raios ele vinha, e o fato de eu estar “melhorando” fez com que eu tivesse alta aos dezesseis anos. Eu não podia ter ficado mais feliz, até descobrir que Erik não viria comigo…

E eu nunca mais o vi desde que deixei o sanatório.

As alucinações não pararam, as vozes não pararam, mas eram todas tão irritantes, tão superficiais que tudo o que eu fazia era ignorá-las (foi difícil, mas eu aprendi). Apareceu uma mulher uma vez, enquanto eu caminhava pela Avenue Montaigne, perguntando onde era a loja de chapéus, acho que era Coco Chanel, mas não posso confirmar. E houve mais algumas figuras bizarras que ficavam falando de coisas que haviam acontecido milhares de anos atrás. Na minha casa, especificamente, que ficava bem na porra do centro de Paris, sempre havia um homem de cachecol passeando para lá e para cá, mas nunca nos falamos porque ficou muito claro, pela forma que ele se vestia, que não nos daríamos bem de qualquer forma.

Em meio a isso tudo, eu continuei meus estudos em casa com um professor suíço que tinha um sotaque muito esquisito. O Sr. Dorleac, no entanto, foi meu primeiro melhor amigo de carne e osso e era ótimo porque, de fato, qualquer um era melhor do que a minha irmã Barbara, que tinha como principal assunto um cantor canadense metido a rebelde que eu não quero ter o desprazer de citar o nome. Mesmo com tudo isso consegui me controlar, deixei minha mãe comprar um sapato ridículo da Jimmy Choo para que eu fosse em uma dessas festas idiotas e usei um vestido do Alexander McQueen, e um perfume da Dior, e me envolvi em todo esse meio de futilidade. Era bem fácil, na verdade, eu só precisava chegar em casa, tirar a carapaça e ouvir Beastie Boys que tudo voltava ao que era e eu voltava a minha essência.

E essa vida não estava me incomodando até eu resolver fazer uma faculdade e minha mãe insistir para que eu fizesse Moda. Na boa, eu podia usar todas aquelas parafernalhas, mas estudar Moda, definitivamente, NÃO estava nos meus planos. Então tive um papo sério com meu pai, falei que queria estudar na América porque queria independência, porque eles tinham um ótimo programa e porque, tive de confessar, eu odiava Moda. E por incrível que pareça, ele me entendeu. Disse que sabia o que era ser repreendido e me deixou ir para New Orleans estudar a minha amada Psicologia.

Eu realmente esperava que tudo ocorresse bem na América, que eu conseguisse me livrar daqueles fantasmas malditos e simplesmente estudar, mas eu TINHA que morar em um lugar cheio de almas de além, com coisas esquisitas para todos os lados.
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Re: [FP] Robin B. Loyère

Mensagem por Christopher J. Eberhardt em Ter Set 30, 2014 9:27 pm

Ficha APROVADA
Meus parabéns, Robin, sua ficha foi perfeita, direta, a história dentro da trama e realmente me admirei com ela, me prendeu como leitora. Meus parabéns. Seja bem-vinda ao The Coven e espero que se divirta por aqui. Não se esqueça de sempre seguir as regras para um jogo e uma convivência melhor.

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